VENTRE LIVRE
Por
João Octávio Barbosa
Como
aprendemos nas aulas de História, na escola, a escravidão brasileira foi
acabando aos poucos. E contra a vontade da maioria aristocrata, diga-se de
passagem. Começa com a pressão estrangeira da Inglaterra, que proibiu o tráfico
internacional de escravos africanos - sem nenhum apelo humanitário; apenas para
que os países do mundo tivessem trabalhadores pagos em vez de não pagos, pois
assim esses teriam dinheiro para comprar o que a Inglaterra queria vender.
Outro
passo importante para a liberdade dos negros foi a Lei do Ventre Livre,
proclamada também num 28 de setembro, no ano de 1871. Com isso, os filhos de
escravas que nascessem dali em diante seriam livres. Essa história me remeteu,
imediatamente, a uma personagem interessante dos mais remotos tempos Bíblicos.
Havia
uma escrava egípcia chamada Agar. Sua ama era Sara, esposa de Abraão. Esse
casal sofria o drama da infertilidade. E pouca esperança havia para que isso
mudasse, porque agora já estavam idosos. Essa mulher, Agar, ainda jovem, de
repente passa a ser pivô de um triângulo complexo.
Em
Gênesis 16:1-15 lemos
o momento em que Sara toma a decisão de fazer de Agar a dona de uma barriga de
aluguel para ela e seu marido. Como escrava, o que Agar poderia fazer além de
aceitar? Submetida a ter relações sexuais com um homem de quase 100 anos, ela
carregou no ventre um filho livre sendo uma simples e mera serva.
É
interessante pensar que, nessa época, Deus já havia prometido filhos a Abraão, mas
não a Sara. À mulher dele nunca foi feita nenhuma promessa, e talvez tenha sido
isso que motivou Sara a dar esse jeitinho com Agar. Em todo caso, logo vemos os
problemas desse plano.
Foi
a própria Sara quem começou a reclamar quando se sentiu desprezada por Agar
após ela engravidar. Agora havia uma intriga, ali. Uma guerra de egos. Sara
culpa Abraão pelo que está acontecendo. Ele prefere não se envolver
diretamente, e com isso se omite diante do fato de que agora Sara maltrata
cruelmente sua serva, que apenas fizera, contra a sua própria vontade, o que
sua dona mandara.
Agar,
então, foge. Mas ela não estava sozinha. O Deus de amor, que é Todo Poderoso,
não é só Deus de livres ou de homens machistas, mas também é Deus de escravos e
de mulheres perseguidas. É Deus de todos, que vê a cada um, e cuida de quem
precisa. Um anjo visita Agar em sua angústia, e a conforta, e a convence a voltar,
e prometendo, inclusive, a bênção de uma longa prole. Deus a viu também; e note
que, mesmo escrava, mesmo mulher, mesmo socialmente inferiorizada, ela recebeu
a mesma promessa e tratamento que Deus dera a Abraão.
Logo
nasce Ismael, seu filho. Por algum tempo ele foi a luz da casa. Não pelo status de Agar, mas de Abraão, o patrão.
Porém, alguns anos depois, nasce o filho de Abraão com Sara. E agora Agar era
mãe de um filho “meio bastardo”, numa casa que já tinha um filho legítimo. Em Gênesis 21:1-21 vemos
que Sara usa a primeira desculpa que tem para se irritar com Ismael, e exige
que Abraão o expulse de casa, junto com sua mãe. Queria preservar o território
para si e seu filho Isaque.
Abraão
cede. Agar, expulsa e sem rumo, vaga pelo deserto. Logo que acaba seu único
bem, a água, e já sem esperança de sobrevivência, larga o filho para não vê-lo
morrer e se refugia distante para sofrer sozinha. Mas então o Anjo do conforto volta
a aparecer e dar esperanças.
Deus
abre seus olhos. Existe um poço. Existe vida. E essa mãe solteira, junto de seu
filho, então com 12 anos, dá um jeito. Vai levando. Ela até mesmo arranja uma
esposa para ele. Uma egípcia, como também ela era. E a promessa para Ismael se
cumpre. Em Gênesis 25 vemos que Ismael foi pai de 12 príncipes. Não
coincidentemente, seu meio irmão, Isaque, foi avô de 12 rapazes que mais tarde
seriam patriarcas das 12 tribos de Israel. Porém Ismael nunca mais voltou a ver
seu irmão e seu pai, e nunca viu nenhum sobrinho.
Deus
não abandona ninguém. Em famílias destruídas, em situações que parecem sem
saída, em relações sem amor, Deus tem um plano para a vida de cada um. Já se
perguntou qual é o plano dele para você hoje?
Não
peço que concordem, espero que reflitam!
Que belo texto. Deus se importa, Deus se preocupa, mesmo que pareçamos esquecidos Deus ouve. Afinal, esse é o significado do nome Ismael, Deus ouve.
ResponderExcluir